Quem está com a razão depois da suspensão de Cacá Bueno na Stock Car?

Turismo |
29 de julho de 2015

Lutando pelo hexa, piloto carioca não poderá correr próxima etapa do campeonato por ter insultado a organização da prova

“Os caras são uns imbecis, como sempre a CBA é um bando de imbecil”. Essas foram as palavras ditas por Cacá Bueno via rádio à sua equipe, a Red Bull Racing ao final da prova válida pela segunda etapa da Stock Car 2015 em Ribeirão Preto. Porém, a conversa vazou e foi transmitida ao vivo. O pentacampeão foi o primeiro a cruzar a linha de chegada, mas por erro da organização, não recebeu a bandeira quadriculada. Pressionado por Marcos Gomes, o segundo colocado, Bueno continuou acelerando enquanto a pista já havia sido tomada por fiscais e mecânicos. Depois de ser alertado por rádio que a prova tinha terminado, o piloto foi até a cabine da direção de prova reclamar da não sinalização.

Isso foi em 05 de abril, mas só agora saiu o resultado final da punição ao piloto: O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) avaliou o caso e deu a razão à CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo). Considerou a atitude de Bueno “uma multa gravíssima”. Assim, o excluiu da próxima etapa na Stock Car, além de uma multa de R$ 50 mil destinada aos cofres da entidade. Mas, fora dos tribunais, quem realmente tem razão no caso?

Cacá Bueno invade cabine da direção de prova para reclamar de bandeirada que não ocorreu (Frame Sportv)

Cacá Bueno vai até cabine da direção de prova para reclamar de bandeirada que não ocorreu (Frame Sportv)

 

As palavras do líder da temporada 2015 da Stock Car foram duras e desmedidas. Ele respondeu a um erro pontual com outro erro pontual. A não bandeirada foi uma falha humana, facilmente evitável. De cabeça quente e mergulhado em toda a tensão do momento, Cacá também falhou e poderia ter guardado facilmente todos os insultos.

“O que aconteceu em Ribeirão Preto foi uma falha humana, que todos estamos sujeitos”, pondera Bueno. “No mesmo dia, conversei com a bandeirinha, que me pediu desculpa, assim como eu também me desculpei pela minha reação, e ficou tudo certo entre a gente. Mas quiseram dar continuidade a este assunto, levando para o tribunal. Continuo achando um absurdo pegarem uma conversa de rádio, privada, entre eu e a minha equipe e ter transformado isso numa declaração ou entrevista para criar uma polêmica”, completa o carioca.

O nervosismo provocado pelo erro fez a fiscal Andrea Cristina Ladeira chorar nos bastidores: “Muita gente veio falar comigo e durante a visitação de boxes eu fiz questão de ir conversar com o Cacá e pedir desculpas. Ele até ficou surpreso, mas também se desculpou comigo por ter achado que chorei por causa das declarações dele – e até então eu não tinha visto nada do que ele disse sobre o ocorrido. Ele pediu desculpas, eu também. Tiramos uma foto juntos e tudo se resolveu” disse a fiscal voluntária.

 

Fiscal de prova é consolada após o erro  (Frame Sportv)

Fiscal de prova é consolada após o erro (Frame Sportv)

 

Piloto e a fiscal responsável pela bandeirada final Andrea Cristina Ladeira, se entendem depois de confusão (Reprodução)

Piloto e a fiscal responsável pela bandeirada final Andrea Cristina Ladeira, se entendem depois de confusão (Reprodução)

 

Entidade e piloto erraram. Contudo, só um dos lados pagará pelo deslize. Não é de bom tom um dos pilotos de maior referência que corre na categoria de maior visibilidade do automobilismo nacional desmerecer a sua organização. É praticamente desrespeitar a si mesmo. Por outro lado, os desdobramentos do erro da CBA poderiam ser mais graves. Com Bueno e Gomes acelerando em uma pista com carros parados e pessoas andando por ali, o risco de acontecer algum acidente foi alto.

Um simples reconhecimento do erro mostraria humildade e melhoraria a imagem da entidade. Mas o caminho escolhido foi de mostrar autoridade no Tribunal e reforçar a autoridade. Uma pena. A ação orgulhosa só dilata as distâncias entre pilotos e instituição.

A construção de uma imagem respeitosa e liderança legitimada não se faz com canetadas. O episódio poderia ser uma forma de mostrar transparência da instituição na condução e resolução consciente e madura de seus imbróglios. Natural, os erros ocorrem. Como exemplo, o caso poderia ser usado para educar pilotos e melhorar o treinamento dos profissionais envolvidos no evento. Há duas maneiras de acabar com as críticas: ou se elimina o erro que mereceu a crítica ou tenta calar o crítico. A CBA preferiu tentar calar um dos poucos nomes que ainda se manifesta abertamente e tem um posicionamento firme.

Pentacampeão, Cacá Bueno não vencia uma prova na Stock desde 2 de junho de 2013. A quebra do jejum foi ofuscada pelos acontecimentos pós-prova, o que gerou descontentamento no piloto: “Nosso esporte merece que a vitória e nosso trabalho seja muito mais notícia que uma polêmica”, finaliza Bueno.

Pódio em Ribeirão Preto teve Cacá Bueno em primeiro, Marcos Gomes em segundo e Julio Campos em terceiro (Foto: Duda Bairros)

Pódio em Ribeirão Preto teve Cacá Bueno em primeiro, Marcos Gomes em segundo e Julio Campos em terceiro (Foto: Duda Bairros)

Para substituí-lo, a equipe Red Bull Racing escolheu o belga Laurens Vanthoor. A sexta etapa da Stock Car, na capital paranaense, será realizada no próximo domingo, às 13h (de Brasília). A classificatória que define o grid de largada terá lugar um dia antes, às 12h.

 

Carioca comemora após quase 2 anos sem vitória na Stock Car (Foto Bruno Terena  Divulgação)

Carioca comemora após quase 2 anos sem vitória na Stock Car (Foto Bruno Terena Divulgação)

 

Texto: Juliana Bechelli – ClickSpeed
Foto: Divulgação

 



Compartilhe esta notícia nas Redes Sociais: