O “homem a ser batido” da F3 Brasil Light, Guilherme Samaia falou com o ClickSpeed e contou sobre sua temporada arrasadora

Fórmula |
11 de agosto de 2015

”Uma surpresa para todos nós, mas não é algo fora do normal, pois sei que cheguei preparado”, avaliou Samaia, líder com folga do campeonato

O início de temporada não poderia ser melhor: em 8 corridas, 5 vitórias. Números cada vez mais expressivos por terem sido somados apenas na primeira temporada de Guilherme Samaia na F3 Brasil Light. E nada mais promissor se olharmos quem aparece no retrovisor do estreante: Matheus Muniz, Pedro Cardoso e Igor Fraga, pilotos talentosos, mas que ainda não conseguiram quebrar a hegemonia Samaia.

Guilherme veio do kart e para entrar na F3 teve que se adaptar às exigências do carro. Mesmo correndo pela Light, categoria com menos atualizações no chassi e aerodinâmica, o motor é igual ao da principal categoria da F3 Brasil. Isso significa precisar de um bom preparo físico e capacidade de adaptação contínua. Características que pelos resultados do piloto mostra que ele tem, e de sobra.

 

 

Conversamos com Samaia para saber quais os fatores que o colocaram no topo da categoria e os planos do piloto para se manter líder e conquistar o título de 2015. Confira:

 Entrevista exclusiva concedida ao portal ClickSpeed.

 

ClickSpeed: Como um piloto que veio do kart, quais características dessa modalidade do automobilismo você trouxe para a Fórmula?

Samaia: Praticamente tudo. Além da tocada, o aprendizado de como me comportar antes e durante uma corrida e em um campeonato. A dedicação, a experiência de corrida, as táticas, que são experiências adquiridas somente ao participar de corridas. O kart, sem dúvida, é excelente para isso.

ClickSpeed: A Força G aumenta consideravelmente quando se muda do kart para um carro maior como os monopostos. Como foi o treinamento para se acostumar com essa diferença? 

Samaia: Sim, está sendo muito duro. Estou sempre com uma meta de melhorar meu físico para praticar meu esporte da melhor forma. Com o tempo, creio que estarei acostumado.

ClickSpeed:  Qual foi a sua melhor corrida na carreira?

Samaia: As duas mais recentes foram na Fórmula 3, no Velopark, onde ganhei na Light, largando de 16° lugar (último) e chegando em 6° na geral e 1° na Light. E em Curitiba, onde larguei do meio do pelotão, depois de enfrentar alguns problemas, e venci a corrida com mais de 15s à frente do segundo colocado.

ClickSpeed:  O momento mais emocionante da corrida é ultrapassar um adversário. Qual ultrapassagem você sempre se lembrará?

Samaia: Aconteceram várias no kart e na Fórmula 3 também. Por fora, ou um “X”, ou aquela ultrapassagem que te traz a vitória. Na última corrida de F3, largando de 8°, consegui a ponta antes da primeira curva, logo depois disso tive uma briga boa com um concorrente, o Igor Fraga. Passei ele por fora no fim da reta e venci a corrida. Foi, certamente, uma ultrapassagem inesquecível.

ClickSpeed:  O automobilismo é um esporte de risco. Em sua carreira, você já se envolveu em algum acidente que o fez pensar em parar?

Samaia: Acidentes acontecem neste esporte, lógico. Nas ultrapassagens em corridas, ou mesmo tentando tirar o limite do carro, se o piloto passar um pouco do ponto, ele bate. Mas, graças a Deus, nunca tive um acidente que me fez pensar algo desse tipo.

ClickSpeed:  Com metade das provas já disputadas na F3 Brasil Light, você conquistou 5 vitórias em 8 corridas. Você imaginava algo assim no início da temporada? Esse retrospecto é uma surpresa para você e sua equipe?    

Samaia: Com certeza, uma surpresa para todos nós, mas não é algo fora do normal, pois sei que cheguei preparado. Porém, como estreante e com pouca experiência em um monoposto, posso dizer que está sendo muito bom. Sempre tenho os pés no chão e sei que a tarefa será árdua, nunca uma corrida está ganha com antecedência. Sempre foco em extrair tudo de mim e, se for suficiente, a vitória virá.

 

ClickSpeed:  A sua performance nesta temporada se assemelha muito com a história da sua equipe, a Cesário: em 8 edições da F3 Brasil, ela foi campeã em 6. Você sente algum tipo de pressão por representar uma equipe com esse histórico?  

Samaia: Eu não diria pressão, eu diria orgulho! É uma equipe com uma história fantástica e quero fazer parte dela. Essa equipe me acolheu como um membro da família, sempre me ensinando e me ajudando a evoluir. Assim, vencemos 5 de 8 corridas e poderia ter vencido mais, mas infelizmente acidentes acontecem, numa corrida você depende dos outros também, e os outros podem te prejudicar demais.

ClickSpeed: Como líder da F3 Brasil Light com 93 pontos, 39 de diferença para o segundo colocado, quais fatores do seu trabalho você destaca como sendo fundamentais para construir essa hegemonia?

Samaia: Minha chegada à equipe Cesário, minha dedicação dentro e fora das pistas, seja no kart ou na F3, a motivação e o apoio dos meus pais.

ClickSpeed: A F3 sempre foi uma ótima vitrine para revelar novos talentos, considerada uma das principais categorias de base do automobilismo. Quais outros campeonatos você tem vontade de competir após a F3 Brasil Light?

Samaia: F3 Brasil (classe A), F3 Europeia, GP2, F-Renault 3.5. O foco é sempre competir em categorias de fórmula.

ClickSpeed: Qual piloto você vê como seu principal concorrente ao título?

Samaia: Os outros dois pilotos que também já venceram uma prova neste ano: Pedro Cardoso e Igor Fraga.

ClickSpeed: Como você administra o título de “o homem a ser batido pelos adversários” depois dos ótimos resultados obtidos até agora? 

Samaia: Isso não me deixa confortável, não. Só me dá mais vontade de ampliar minha vantagem, vou buscar mais vitórias.

ClickSpeed: Na metade do campeonato, quais os próximos obstáculos você espera encontrar nesta fase?

Samaia: As corridas continuarão sendo sempre difíceis, já que meus adversários são muito bons. Quero continuar trabalhando duro para conquistar o título.

 

 

A 5ª etapa da F3 Brasil Light acontecerá em Cascavel, Paraná, no dia 30/08. A cobertura completa desta e outras etapas você acompanha aqui no ClickSpeed. Fique ligado.

 

Texto: Juliana Bechelli – ClickSpeed          
Foto: Luca Bassani



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