Há 20 anos o automobilismo perdia uma lenda

Fórmula |
17 de julho de 2015

Pioneiro da F1, Juan Manuel Fangio detém recordes que seguem intactos até hoje

Detentor do maior percentual de títulos: em oito campeonatos mundiais disputados, venceu cinco (62,5%). Conquistou a pole position em 55,7% das vezes. Estava na primeira fila em 94,1% das largadas. Subiu ao pódio em 68,6% das oportunidades.

Marcas difíceis de serem batidas ou até mesmo alcançadas. O único recorde superado precisou de 46 anos para ser quebrado, quando Michael Schumacher chegou ao hexacampeonato em 2003.

Nascido em Balcarce, na Argentina, no dia 24 de junho de 1911, Fangio permanece uma lenda. Para especialistas na história do automobilismo, como o jornalista italiano Cláudio Carsughi, que acompanhou de perto todos os títulos conquistados por Fangio, dá seu veredito sobre os feitos do argentino: “Todos os pilotos que foram campeões mundiais sempre tiveram o melhor carro. O Fangio teve quatro títulos mundiais assim: um com a Alfa Romeo, dois com a Mercedes e outro com a Ferrari. Mas em 1957, seu último título, ele tinha uma Maserati muito pior que a Ferrari. Além do mais, ele não tinha como fazer um jogo de equipe, porque os pilotos que estavam correndo com ele eram de um nível inferior, em comparação aos que corriam pela Ferrari. Então, eu acho que isso fez dele o melhor, ganhar sem ter dirigido o melhor carro.”

Na infância, o sonho do automobilista estava longe dos motores. Fangio queria ser jogador de futebol. Mas com o apelido de “El Chueco” (o manco), não tinha muito prestígio nos gramados.

A paixão pela velocidade apareceu aos 16 anos como aprendiz de mecânico. Um ano depois, em 1934, Juan já estava na pista dirigindo um Ford-T, disputando a primeira corrida. Terminou em último colocado.

Seu primeiro pódio só veio quatro anos depois, nas Mil Milhas da Argentina. A trajetória de Fangio se mistura com a criação da Fórmula 1. O mundial nasceu em 1950. Logo na segunda prova, no Grande Prêmio de Mônaco, o argentino conquistou a sua primeira vitória com o sua Alfa Romeo, equipe que dominou aquela edição da F-1.

Fangio dirigindo sua Alfa Romeo em 1951

Fangio dirigindo sua Alfa Romeo em 1951

O talento do sul-americano nas pistas chamou a atenção do mundo. Os gigantes volantes de madeira da época pareciam leves e práticos na mão do habilidoso argentino.

A conquista do primeiro título mundial veio em 1951. Em 1953 foi vice e já em 1954 foi bicampeão com a Maserati. A partir daí, o piloto foi soberano por três anos seguidos: campeão em 1955 (com a Mercedes),1956 (com a Ferrari) e 1957 (com a Maserati). É até hoje o único corredor da história do esporte a conquistar um campeonato com quatro equipes diferentes.

 

Fangio celebra seu primeiro título mundial após vencer o GP da Espanha de 1951

Fangio celebra seu primeiro título mundial após vencer o GP da Espanha de 1951

 

GP da Bélgica de 1953 correndo agora pela Maserati

GP da Bélgica de 1953 correndo agora pela Maserati

 

De Mercedes no GP da Inglaterra em 1955

De Mercedes no GP da Inglaterra em 1955

 

Fangio recebe a bandeirada em primeiro lugar no GP da Alemanha de 1957, que sentenciou a conquista do penta

Fangio recebe a bandeirada em primeiro lugar no GP da Alemanha de 1957, que sentenciou a conquista do penta

 

Mesmo sendo o campeão mundial mais velho com 46 anos e 41 dias até hoje, Fangio não conseguiu manter o alto nível em 1958, ano que ficou em 14 lugar. Assim, esgotado fisicamente chegou a aposentadoria.

Contudo, o legado ficou. Se a geração de 90, composta por Michael Schumacher e Mika Häkkinen se inspiravam nas lendas dos anos 1980 com Alain Prost, Nelson Piquet e Ayrton Senna e esses olhavam os pilotos de 1970 como Niki Lauda, Jochen Rindt, Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi, certamente todos, de todas as gerações, viam em Juan Manuel Fangio como o pioneiro do esporte.

Ayrton Senna, tricampeão mundial em 1988,1990 e 1991 era fã declarado do argentino. A emoção de Senna ao receber de Fangio o troféu pela vitória no GP Brasil é icônica.

Senna recebe de seu maior ídolo o troféu no GP Brasil de 93

Senna recebe de seu maior ídolo o troféu no GP Brasil de 93

Hoje, 17 de julho, completa-se 20 anos da perda do patriarca do automobilismo. Depois de sofrer com complicações do seu quadro de doença renal, Juan Manuel Fangio acabou falecendo aos 84 anos.

1957: em Mônaco guiando sua Maserati

1957: em Mônaco guiando sua Maserati

Texto: Juliana Bechelli – ClickSpeed
Fotos: Divulgação



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