Especial 24 Horas de Kart: Pressão e Preparação Psicológica para eventos de longa duração

Outros |
27 de junho de 2018

A Preparação Psicológica é essencial para o contorno de situações que gerem ansiedade e pressão diante de eventos de longa duração, como por exemplo as 24 Horas de Kart que será realizada em Julho no Kartódromo de Interlagos.

 

Além de treinamentos físicos constantes antes de qualquer grande evento, é primordial que o atleta se condicione mentalmente. A mente estimulada corretamente conseguirá colocar em prática aquilo que o corpo está prestes a realizar em situações cruciais da prova. No momento da tomada de decisão, quando necessário reduzir ou aumentar o ritmo, é essencial trabalhar o foco e atenção para que não ocorram falhas que venham a prejudicá-lo fisicamente ou que perca o rendimento. Uma vez compreendido que o corpo é comandado pela mente, fica evidente a necessidade da preparação mental para auxílio do atleta já em primeira instância.

Quando o atleta passa a se conhecer, a identificar as próprias falhas e acertos, dentro e fora das pistas, finalmente passa a compreender com ganhos quais são suas fortalezas e não se permite influenciar negativamente, consequentemente se distanciando do baixo desempenho ou mazelas provenientes de uma má conduta na pista.

A preparação psicológica traz estratégias eficazes para enfrentamento, em especial em circunstâncias sob efeito de  intenso estresse.
Tais estratégias devem ser testadas em primeiro treino e a posterior em eventos menos importantes, para então evoluir para grandes eventos, como o caso de um evento de longa duração.

A principal estratégia consiste no autoconhecimento do atleta, que lhe trará a capacidade de enfrentamentos diante das competições, proporcionando baixa de estímulo em situações que despertem ansiedades e a pressão ocasionada por adversários.

 Adaptar-se aos seus próprios limites, às condições e regras do evento diminuirão sofrimentos desnecessários.

O desgaste físico e desequilíbrio, regados de uma má noite de sono e alimentação incompatível com o esforço que o atleta desprenderá, poderão trazer notórios desastres ao decorrer da prova (como o caso da ansiedade).
Os temores da mente podem culminar em tomadas de decisões equivocadas diante do esporte, então o autocontrole se faz necessário quando o espírito de competição se desfaz em meio a tanta adrenalina.

O estresse tende a ocorrer de maneira automática devido a questões que não estão presentes em conteúdos conscientes, ou seja, caso o atleta tenha tido más experiências frente a outras provas na mesma pista ou com os mesmos competidores, tais memórias terão sido formadas de modo negativo, e quando colocado à prova o competidor pode não entender o motivo pelo qual o estresse está ocorrendo.
A avaliação inicial da prova pode ser respondida de distintas formas pelo mesmo atleta.
Os competidores possuem performances diferenciadas diante de um mesmo ‘estado de desafio’, ou seja, para uns pode ser motivador, para outros pode trazer uma situação de ameaça, podendo inclusive evoluir para um trauma. Para aquele que se sente ameaçado, o medo do adversário ou a preocupação com sua conduta podem atrapalhar seu desempenho.

Para entrar em uma competição de maneira sadia, o competidor diante de um ‘estado de desafio’ deve manter a confiança, proveniente do autocontrole e assim conseguir focar no sucesso da prova.

Para motivar o competidor, é importante trabalhar o controle de pensamentos e poder identificar quais são seus pensamentos nos momentos de competição e euforia, em especial nos momentos mais decisivos da prova, para assim poder identificar quais são esses pensamentos influenciadores e consecutivamente poder trabalhar na manutenção da concentração diante do esporte ao qual o atleta está atuando.

É possível trabalhar semanalmente esses pensamentos, e monitorá-los.

O ponto focal está em trabalhar o momento da competição mentalmente. É relevante criar rotinas de pensamento que o tragam do início ao final da prova, proporcionando a confiança e podendo discernir quais seriam os obstáculos prévios calculados. Por fim, antes de qualquer competição, sejam às 24h de Interlagos ou outro, é importante estabelecer um momento de relaxamento antes da prova, podendo ser preenchido através de músicas ou realizando alguma atividade prazerosa fora do ritmo da prova, para assim estimular o controle do estado mental.

De uma maneira geral, as técnicas de condicionamento mental servem como instrumentos de encorajamento, porém também possuem seus limites. O que podemos chamar de ‘limite’, está presente quando o atleta ao colocar em prática técnicas para melhor rendimento esportivo acaba “escondendo” traumas de outras áreas de sua vida. Dessa forma, em algum momento quando o trauma se encontrar com o esporte, a dificuldade poderá reaparecer ou também se agravar. Ou seja, a técnica de suporte e controle do estado mental pode auxiliar durante um curto espaço de tempo, diante de determinadas e específicas provas, mas não auxiliarão na tratativa com o problema, o que desencadearia momentos aversivos e de baixo rendimento.

Os competidores que esperam muito por métodos e dependem de estimuladores externos, se demonstram muitas vezes frágeis em enfrentamentos e questões psicológicas mais profundas. Assim sendo, vale ressaltar que o acompanhamento psicológico em longo prazo é essencial.

 

Marjorie

Por Marjorie Alencar, CRP 06/140675, Psicóloga clínica da abordagem da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), com predominância de atuação na saúde mental nos seguintes temas: Transtornos comportamentais e emocionais, Transtornos de Personalidade, Transtornos de ansiedade, Fobias, Transtornos do Impulso, Transtorno de Pânico, Mediação de conflitos, Psicoeducação em pacientes de todas as faixas etárias, além de atuação recorrente com atletas, por meio da Psicologia do Esporte em tratativas clínicas.

Acesse mais em: www.psicologamarjoriealencar.com



Compartilhe esta notícia nas Redes Sociais: