Entrevista exclusiva: Brasileiro que disputará Nascar Euro, Deo Alves conta sobre aprovação e expectativas na categoria

Turismo |
23 de maio de 2016

Depois de ser classificado como apto para correr na categoria, Alves agora busca se adaptar ao carro e mais patrocinadores

 

Competições de kart, Campeonato Mundial de Fórmula Ford, piloto de testes da F2, F3 e carros de turismo. Tudo isso já aconteceu na carreira do piloto brasileiro Deo Alves que agora alça vôos altos, pousando dentro de um Ford Mustang 420Hp. Foi nessa máquina que Deo guiou por cerca de 20 minutos pelo circuito Ricardo Tormo, em Valencia, na Espanha, para receber a aprovação dos organizadores da Nascar Whelen Euro Series para participar desta temporada.

O piloto que já é patrocinado pela O2BH Concessionária Kawasaki  e Gel Stonehair, busca ainda mais um reforço para o time de investidores para poder correr todas as 6 etapas que compõe a Nascar Euro.

Experiente, o mineiro de Belo Horizonte concedeu uma entrevista exclusiva ao ClickSpeed e falou como foi a expectativa antes e depois da aprovação para correr na categoria tipo Turismo de maior sucesso no mundo, a Nascar. Confira:

 

ClickSpeed: Conte brevemente sua trajetória no automobilismo até chegar a Nascar Européia.

Deo Alves: Como quase todos os pilotos, comecei no kart. Passei para os carros disputando a Formula Ford no Brasil e em seguida fui para Inglaterra, onde disputei o Campeonato Mundial de Formula Ford. Em função da perda do meu pai me afastei por muitos anos das competições oficiais, mas tive oportunidade de testar diversos carros como F2, F3, e carros da categoria turismo, também tive convites para disputar o mundial de esporte protótipos pela Mazda, mas acabou que eu não consegui ir pro Japão naquela época. Agora, a cerca de três anos voltei a correr no Superkart em Minas Gerais e então surgiu a oportunidade de conhecer a categoria Nascar Whelen Euro Series.

CS: Estava muito nervoso no dia do teste Nascar Whelen Euro Series? Como é exatamente o teste?

DA: Estava muito tranquilo, tive um apoio muito grande da minha esposa Ana que estava sempre ao meu lado e do piloto Marconi Abreu que me ajudou muito na preparação ainda aqui no Brasil. Não era um teste de velocidade, até porque não seria possível em tão pouco tempo querer virar rápido… foi um teste muito mais de comportamento…dai eu acho que fiz tudo direitinho mesmo tendo rodado na última volta.

CS: Como foi o momento que recebeu a notícia de que estava apto para correr na Nascar?

DA: Essa foi a parte mais tensa… meu treino era pra ter sido de uma hora e meia aproximadamente, mas um outro piloto entrou e não tive oportunidade de estar mais tempo na pista. Então procurei o presidente da Nascar e questionei sobre o aproveitamento daquele teste se seria válido ou não e ele então me confirmou que eu estava apto a entrar na categoria.

CS: Você precisou de cerca de 20 minutos para ser aprovado pela comissão organizadora. Espera que seria tão rápido assim?

DA: Não. Nunca havia andado com um carro desses e nem deu tempo de fazer um banco pra mim. Espero andar mais e me sentir mais próximo do limite do carro. Eu preciso de muito treino ainda pra ser competitivo na categoria, mas como disse antes foi uma avaliação de comportamento e não de velocidade.

CS: Como foi sua preparação para encarar esse desafio na Nascar?

DA: Estava tranquilo, com muita vontade de andar num carro como esse e o Marconi Abreu (que, aliás, fez uma ótima estréia na categoria) juntamente com minha esposa Ana e o Jackson Oliveira me ajudaram muito psicologicamente. Me surpreendi com minha tranquilidade na pista!

CS: Conhecia a pista de Valencia em que foi feito o teste?

DA: Não. Mas deu pra perceber que é um circuito muito técnico.

CS: A Nascar tem etapas com circuitos mistos, como o da estréia na Espanha e pistas ovais como será na Holanda e França. Qual você prefere e por que.

DA: Prefiro os mistos até porque ainda não tive nenhuma experiência em circuitos ovais. Mas o que me dá prazer é a competitividade e não a velocidade. Preferiria mesmo que houvesse circuitos de rua.

CS: Você afirmou que precisava de um pouco mais de tempo para se adaptar ao carro. Quanto tempo teve com ele até fazer o teste?

DA: Saber sobre os comandos do carro, me adaptar aos pneus e ao motor V8 de 420Hp. Tive que enfrentar este desafio nos únicos 20 minutos de treino, sem nunca ter nem sentado no carro. Era um treino oficial em que estavam todos os pilotos andando ao mesmo tempo, nomes como Borja Garcia, Gabion, Kupen, Hunt, Lauda…e eu precisava não prejudicar esses pilotos. Esse meu comportamento na pista acredito que tenha sido fundamental para o meu objetivo alcançado!

CS: Algumas equipes te procuraram querendo que você seja o piloto delas nessa temporada. Já sabe qual time vai defender?

DA: É verdade, cheguei da Europa com três convites e de quebra um convite para Le Mans. Não posso revelar ainda qual equipe vou defender até porque será necessário a vinda de algum patrocinador.

CS: Qual a sua meta para essa temporada de estréia?

DA: O campeonato conta com 6 eventos de rodadas duplas e é dividido em Elite 1 e Elite 2. Espero conseguir o patrocínio necessário para participar da Elite 2. Caso não consiga para todo o campeonato espero estar presente nas provas da Inglaterra, Itália e Bélgica que são os circuitos mistos e assim me preparar para o ano que vem.



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