Automobilismo é para homens? Conheça Ketheryne Rodrigues, piloto campeã carioca que prova a força das mulheres no esporte a motor

Kart |
14 de outubro de 2015

“Muitas pessoas falam que o Kart não é um esporte para mulheres, mas muitas dessas mulheres já mostraram suas capacidades”

Onde existem carros, motores e muita velocidade sempre terão muitos homens envolvidos. Culturalmente essa ligação homens-carros é vista socialmente como natural, mas e quando é uma menina que decide apostar na carreira de piloto?

Desde Regina Calderoni, pioneira nacional da Stock Car nos anos 80, passando por Bia Figueiredo, as novas gerações se destacam pelo maior número de meninas que se aventuram atrás do volante e mostram que o automobilismo também é para as mulheres.

Mentes mais receptivas e abertas, ambientes competitivos, maior conhecimento chegando a elas são alguns dos fatores que contribuem para esse aumento de pilotos mulheres. Além disso, a promoção de competições dedicadas apenas às mulheres, como a Corrida das Princesas  apresentam para elas o esporte e provam que é possível a inserção delas nesse mundo aparentemente masculino.

Furando a atmosfera homogênea criada pelos homens no mundo da velocidade, uma dessas desbravadoras é Ketheryne Rodrigues. Campeã do Carioca de Kart, a piloto de 17 anos fala um pouco do seu início no esporte, a carreira e planos para o futuro.

Confira entrevista exclusiva da piloto ao ClickSpeed:

ClickSpeed: Há quanto tempo anda de kart? Como começou o interesse pelo esporte?

Ketheryne Rodrigues: Ando de kart há 12 anos, comecei a me interessar pelo esporte em 2003 a partir do momento em que eu ficava assistindo meu irmão pilotar no Kart Amador do shopping.

ClickSpeed: Houve alguma resistência por parte da família para que você não corresse? O que (ou quem) mais te incentivou a entrar no automobilismo?

Ketheryne Rodrigues: A escolha de eu começar a andar foi por conta própria, não teve nenhuma interferência por parte da família, mesmo que eles sempre achassem perigoso. Meu pai sempre foi meu maior incentivador desde meu primeiro contato com o kart até os dias de hoje.

 

ClickSpeed: Quais campeonatos você participa atualmente? (Serrano de Kart, Carioca de Kart…) Como foram os resultados?

KR: Este ano participei do campeonato Carioca de Kart no qual fui campeã, vencendo 3 das 4 corridas que tiveram. E estou participando também do Campeonato Serrano, atualmente estou em 2º lugar, mas ainda restam 3 corridas para o fim.

ClickSpeed: Como você vê a condição das mulheres praticando um esporte essencialmente masculino? Já presenciou algum tipo de preconceito dentro do meio automobilístico por ser piloto? Bia Figueiredo em uma entrevista relatou que quando ela começou no kart há 20 anos, as pessoas não entendiam que uma menina poderia correr. Você acha que hoje isso mudou ou ainda há um preconceito velado nesse esporte?

KR: As condições podem ser as mesmas na medida dos seus esforços, muitas pessoas falam que o Kart não é um esporte para mulheres, mas muitas dessas mulheres já mostraram suas capacidades.

 

 

ClickSpeed: Quem são seus principais ídolos no automobilismo? Você se espelha nas mulheres que pilotam?

KR: Mesmo que eu não tenha vivido em sua época, Ayrton Senna é uma grande inspiração, assim como Sebastian Vettel e Lewis Hamilton.  As mulheres que pilotam com certeza são um espelho para mim, além de admirá-las muito!

 

 

ClickSpeed: Você acha que falta um incentivo ou uma forma de apresentar as meninas que elas podem, sim, pilotar? Na sua opinião, que meios você vê possíveis de levar o automobilismo às mulheres?

KR: Na minha opinião para apresentar á uma menina o automobilismo ela precisa gostar muito de velocidade, caso contrário ela não irá se interessar nem um pouco.

 

 

ClickSpeed: Como surgiu a oportunidade de correr pela equipe NDMotorsport?

KR: A Equipe ND Motorsport foi uma das primeiras equipes do meu irmão, e nós procurávamos sempre a melhor, a que tinha um bom desempenho e que fosse nos proporcionar bons resultados, e esse é o retorno que nós temos.

 

 

ClickSpeed: Qual corrida marcou sua carreira e será inesquecível para você? Como foi essa corrida?

KR: A corrida mais marcante na minha carreira foi o GP RBC de 2011. Foi a primeira vez que corri em São Paulo, mesmo não obtendo um bom resultado, foi marcante para mim, pois eu cheguei um dia antes da corrida e não tive chances de treinar, mas foi notável minha evolução a cada vez que eu entrava na pista e eu pude sair de lá com muito mais experiência.

 

 

ClickSpeed: Quais são seus planos para o futuro? Onde sonha correr nos próximos anos?

KR: Quero continuar correndo no Kart e fazer mais corridas fora do meu estado.

 

 

ClickSpeed: Gostaria de fazer algumas considerações finais?

KR: Que nunca desista dos seus sonhos, a caminhada pode ser difícil mas com o tempo os resultados chegarão!

 

 

Texto: ClickSpeed
Foto: Acervo pessoal de Ketheryne Rodrigues



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